Entendendo a Pressão Alta
Como
medir a Pressão Arterial?
O diagnóstico da
hipertensão arterial é basicamente estabelecido pelo
encontro de níveis tencionais permanentemente elevados
acima dos limites de normalidade, quando a pressão
arterial é determinada por meio de métodos e condições
apropriados. Portanto, a medida da pressão arterial é o
elemento –chave para o estabelecimento do diagnóstico
da hipertensão arterial.
Medida
Indireta da Pressão Arterial
A
medida da pressão arterial, pela sua importância, deve ser
estimulada e realizada, em toda avaliação de saúde.
A medida da pressão arterial deve ser realizada na posição
sentada, de acordo com o procedimento descrito a seguir:
1-Explicar
o procedimento ao paciente
2-Certificar-se de que o paciente:
não está com a bexiga cheia;·
não·
praticou exercícios físicos;
não ingeriu bebidas alcoólicas, café,·
alimentos, ou fumou antes.
3-Deixar o paciente descansar por 5 a 10 minutos em ambiente
calmo, com temperatura agradável.
4- Localizar a arterial braquial por palpação.
5-Colocar o manguito firmemente cerca de 2cm a 3cm acima da
fossa antecubital, centralizando a bolsa de borracha sobre a
artéria braquial. A largura da bolsa de borracha do
manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço
e seu comprimento, envolver pelo menos 80% do braço. Assim,
a largura do manguito a ser utilizado estará na dependência
da circunferência do braço do paciente.
6-Manter o braço do paciente na altura do coração.
7-Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio
ou do mostrador do manômetro anaeróide.
8- Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu
desaparecimento, para estimativa do nível da pressão sistólica,
desinflar rapidamente e aguardar de 15 a 30 segundos antes
de inflar novamente.
9-Colocar o estetoscópio nos ouvidos.
10-Posicionar a campânula do estetoscópio suavemente sobre
a artéria braquial, na fossa antecubital, evitando compressão
excessiva.
11-Solicitar ao paciente que não fale durante o
procedimento da medição.
12-Inflar rapidamente, de 10mmHg em 10mmHg, até o nível
estimado da pressão arterial.
13-Proceder à deflação, com velocidade constante inicial
de 2mmHg a 4mmHg por segundo, evitando congestão venosa e
desconforto para o paciente.
14-Determinar a pressão sistólica no momento do
aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff), que se
intensifica com o aumento da velocidade de deflação.
15-Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do
som (fase V de Korotkoff), exceto em condições especiais.
Auscultar cerca de 20mmHg a 30mmHg abaixo do último som
para confirmar sem desaparecimento e depois proceder à
deflação rápida e completa. Quando os batimentos
persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica
no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff).
16-Registrar os valores das pressões sistólica e diastólica,
complementando com a posição do paciente, o tamanho do
manguito e o braço em que foi feita a mensuração. Deverá
ser registrado sempre o valor da pressão obtido na escala
do manômetro, que varia de 2mmHg em 2mmHg, evitando-se
arredondamentos.
17-Esperar de 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas.
18-O paciente deverá ser informado sobre os valores da
pressão arterial e a possível necessidade de
acompanhamento.
Em cada consulta, deverão ser realizadas no mínimo duas
medidas, com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas; caso as
pressões diastólicas obtidas apresentem diferenças
superiores à 5mmHg, sugere-se que sejam realizadas novas
aferições, até que seja obtida medida com diferença
inferior a esse valor. De acordo com a situação clínica
presente, recomenda-se que as medidas sejam repetidas em
pelo menos duas ou mais visitas. As medições na primeira
avaliação devem ser obtidas em ambos os membros
superiores. As posições recomendadas na rotina para a
medida da pressão arterial são sentada e/ou deitada.
Nos indivíduos idosos, portadores de disautonomia,
alcoólatras e/ou em uso de medicação anti-hipertensiva a
pressão arterial deve ser medida também na posição
ortostática.
Situações
Especiais de Medida da Pressão Arterial
Crianças
A
determinação da pressão arterial em crianças é
recomendada como parte integrante de sua avaliação clínica.
À semelhança dos critérios já descritos para adultos:
1-A largura da bolsa de borracha do manguito deve
corresponder a 40% da circunferência do braço.
2-O comprimento da bolsa do manguito deve envolver 80% a
100% da circunferência do braço.
3- A pressão diastólica deve ser determinada na fase V de
Korotkoff.
Idosos
Na
medida da pressão do idoso, existem dois aspectos
importantes:
1-
Maior freqüência de hiato auscultatório, que subestima a
verdadeira pressão sistólica.
2- Pseudo-hipertensão, caracterizada por nível de pressão
arterial falsamente elevado em decorrência do enrijecimento
da parede da artéria. Pode ser detectada por meio da
manobra de Osler, que consiste na inflação do manguito até
o desaparecimento do pulso radial. Se a artéria continuar
palpável após esse procedimento, o paciente é considerado
Osler positivo.
Gestantes
Devido
às alterações na medida da pressão arterial em
diferentes posições, atualmente recomenda-se que a medida
da pressão arterial em gestantes seja feita na posição
sentada. A determinação da pressão diastólica deverá
ser considerada na fase V de Korotkoff. Eventualmente,
quando os batimentos arteriais permanecerem audíveis até o
nível zero, deve-se utilizar a fase IV para registro da
pressão arterial diastólica.
Obesos
Em
pacientes obesos, deve-se utilizar manguito de tamanho
adequado à circunferência do braço. Na ausência deste
pode ser:
1- corrigir a leitura obtida com manguito padrão (13cm x
24cm), de acordo com as tabelas próprias;
2-usar
fita de correção aplicada no manguito; e
3-colocar
o manguito no antebraço e auscultar a artéria radial,
sendo esta a forma menos recomendada.
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