Dr. Róger  Bonow Mendes CRM 52.20228-7
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Dicas e dúvidas 


Complemento Vitamínico e Stress

Vitamina faz mal ?

Muitas pessoas estão usando vitaminas (especialmente as "importadas") para prevenir o envelhecimento, ou procurando uma saída para o cansaço e a desmotivação. Esses últimos podem ter origem em uma infinidade de doenças orgânicas, o que torna a ingestão dos polivitamínicos perigosa. Mesmo para pessoas que já "fizeram todos os exames" e não foi encontrado nada, é importante que se diga que as vitaminas podem atuar somente nas doses corretas, com equilíbrio entre si e tratando-se também a origem do problema, em geral o estresse.
Já quanto à prevenção de envelhecimento, o princípio para administração de vitaminas é de que elas retiram os radicais livres do organismo. Esses radicais, na verdade toda substância que contenha um número ímpar de elétrons na sua camada mais externa, são formados quando estamos com certas anomalias, e também são ingeridos com nossa alimentação, já que nossa comida sofre modificações durante o processo de industrialização.
O rigor nenhum medicamento deve ser tomado sem orientação médica. Mas em matéria de vitaminas, parece que essa frase é apenas mais um chavão, de que na verdade as vitaminas, se não resolvem a situação, também não fazem mal. Não é bem assim. Existem riscos concretos. Veja algumas armadilhas e suas respectivas sugestões:
Observe se a fórmula contém ferro (em inglês, iron ou ferrous). Essa substância só deve ser administrada se a pessoa tiver determinados tipos (não todos) de anemia, o que só pode ser verificado por médico através de exame clínico e laboratorial. O ferro é um potente oxidante, ele provoca a formação de radicais livres, que aumentam o desgaste das células e promovem o envelhecimento. Exatamente o inverso do que se procura!!!
Vitamina E trás duas armadilhas: em primeiro lugar, sua ingestão diária, durante um longo período de tempo, pode inibir as defesas orgânicas encarregadas de eliminar radicais livres. Com o tempo o organismo diminui suas próprias defesas! Se você quiser consumir por conta própria, não o faça por longos períodos de tempo. E verifique na fórmula se essa vitamina está sob a forma de Alfa-TocofeROL (com OL no final). Se estiver sob a forma de Alfa-TocofeRIL (com IL no final), convém não ingerir. Algumas vitaminas "importadas" trazem a vitamina E nessa forma, bem mais barata, mas prejudicial à saúde se não for administrada de forma equilibrada com selênio, vitamina C e Beta Caroteno.
Cuidado com a Vitamina A. O Beta Caroteno, que é um precursor da vitamina A, não provoca intoxicação mesmo em doses tão elevadas quanto 50.000 UI. Já a vitamina A, usada sem controle e durante longos períodos de tempo, pode provocar reações de intoxicação. Infelizmente alguns polivitamínicos misturam Beta-caroteno e Vitamina A. Evite esses produtos.
Já o complexo B não trás grandes complicações. Mesmo assim, doses altas de cianocobalamina (vitamina B12) aumentam o apetite e engordam.
Mesmo a vitamina C, que parece ser realmente benéfica para aumentar a resistência do organismo, deve ser administrada com cuidado em portadores de cálculo renal e gota, assim como pode interferir no resultado de alguns exames de laboratório.
Existem também diversas interações entre as vitaminas, e ingeri-las de maneira isolada ou sem controle pode ter sérias conseqüências:
· As vitaminas B2, E e C atuam em sinergia (uma parceria química) com a vitamina A.
· O Ferro é melhor absorvido junto com o Cobre, e necessita das vitaminas A, B6, C e Ácido fólico.
· Cálcio em excesso diminui a absorção de Zinco e Magnésio
· Excesso de ingestão de fibras alimentares, especialmente em crianças, pode levar a uma diminuição da absorção de Cálcio.
· Zinco tomado isoladamente pode levar a uma deficiência de Cobre.
Como você pode perceber, falar em só tomar vitaminas sob controle médico não é apenas um jargão: existem riscos reais e a lista acima é apenas um resumo. A administração de vitaminas e sais minerais pode ser um valioso instrumento terapêutico, mas necessitam sempre de orientação de um médico.

Direitos Reservados: Reprodução permitida desde que citada a fonte: Cyro Masci - 1997.

Dez passos infalíveis (e bem humorados)....... para você estressar seu relacionamento

Todo relacionamento tem dificuldades, que podem muito bem se transformar em estresse. Se você acha que seu relacionamento vai mal, siga as regras abaixo e ele vai piorar mais ainda rapidinho. Agora, se o seu relacionamento vai bem, procure seguir as regras abaixo e você conseguirá destruir tudo, mais cedo ou mais tarde...


1. Amar é adivinhar: Vocês se conhecem há algum tempo, certo? Portanto, um tem a obrigação de adivinhar o que o outro sente, pensa, gosta. Se ele(a) não adivinha seu presente preferido, é sinal que não a(o) ama!. Evite falar seus gostos, suas fantasias. O resultado serão muitos mal entendidos, brigas sem fim. Não é o máximo ?!

2. Evite sempre dizer o que realmente sente. Vá engolindo tudo o que acontecer. Jamais coloque com firmeza, mas sem agressão, o que espera do outro. Faça cara de coitado(a), desempenhe o papel de abandonado(a), deixe o tédio tomar conta, o amor ir diminuindo, diminuindo....

3. Mas quando estiver com raiva, frustrado(a) irritado(a), evite falar desses sentimentos. Procure agir! Brigue, agrida, machuque. O segredo é nunca falar do como você se sente. Procure falar e destacar como o(a) outro(a) é ruim, chato(a), etc, etc, etc.

4. Seja sempre muito firme. Demonstre toda a sua segurança com expressões como "você sempre ..." ou "você nunca.... Procure ser genérico, nunca aponte especificamente o que lhe incomoda. Nunca demonstre compreensão. Essa coisa de que toda moeda tem 2 faces e de que duas pessoas podem ter razão ao mesmo tempo é pura lorota. Não dê o braço a torcer, ou sua imagem ficará maculada.

5. Nada de meio termo. Fuja de acordos como o diabo foge da cruz! Não aceite nunca a situação de ambos cederem para os dois ganharem. É pura bobagem! Não perca nunca. Você sabe, primeiro o outro pede a mão, depois o braço ... Evite achar pontos em comuns, e force o outro(a) a aceitar seus pontos de vista, custe o que custar.

6. Não dê moleza. Se o outro(a) falar alto, fale mais alto ainda. Quem deve ter jogo de cintura é sempre o(a) outro(a). E os incomodados que se mudem ...

7. Evite fazer surpresas carinhosas. Jamais dê um presentinho de surpresa. Nunca diga sem mais essa nem aquela que você o(a) ama. Bilhetinhos então, nem pensar! Busque a rotina e o tédio. Eles são poderosos afrodisíacos ...

8. Contato corporal, carinho, é prenúncio de relação sexual. Todo carinho corporal deve ser sinal de sexo! Toda carícia deve ser seguida de sexo! Evite dar ou receber carinho sem que isso signifique que os dois, necessariamente, vão transar mais tarde.

9. Quando tiver que discutir, não se limite a um assunto por vez. Acumule queixas e mágoas do passado e jogue tudo em cima do(a) outro(a) de uma só vez. Se necessário, faça um diário para não correr o risco de perdoar. É bárbaro!

10. Acima de tudo, evite intimidade. Fale sempre de fatos, do clima, da situação econômica, de tudo o que se passa no mundo. Mas nunca, nunca mesmo, diga o como se sente. É infalível.

Conheça seus direitos

Foi determinado através de lei federal que todo paciente renal crônico tem direito de realizar gratuitamente seu tratamento de diálise ou o transplante renal. Além disso, foram determinadas as condições mínimas que devem existir em um centro de diálise ou em um serviço de transplante, que permitirão o bom funcionamento e a boa qualidade do tratamento. Estas mesmas leis lhe dão direito ao fornecimento de medicamentos básicos e essenciais para o tratamento de doenças que normalmente acompanham a insuficiência renal, como por exemplo medicamentos para o tratamento da anemia (eritropoetina e ferro endovenoso), da doença nos ossos (calcitriol) e da rejeição ao transplante (ciclosporina).
Lembre-se: é importante que você procure sempre discutir com seu médico o quadro geral da sua saúde e como o atendimento está atuando junto às secretarias de Estado.


Como conseguir o auxílio doença da Previdência Social ?

O paciente em programa de hemodiálise que é segurado do INSS, ou seja, contribuiu por mais de doze meses para a Previdência Social, necessita dar entrada no benefício Auxílio Doença. È preciso reunir alguns documentos como: laudo do médico nefrologista que o acompanha, a carteira de trabalho e previdência social ou carnê de recolhimento para o trabalhador autônomo, registro de identidade (RG), CPF, e requerimento em formulário do INSS.


Onde a documentação deve ser entregue ?

A documentação deve ser entregue no posto do INSS mais próximo da residência, pelo paciente ou seu procurador. Após a entrega o segurado recebe um protocolo com a data que será realizada a perícia médica. A concessão do benefício depende do resultado da perícia médica, que durante o gozo do benefício pode ocorrer a critério do INSS.


Como conseguir a aposentadoria por invalidez da Previdência Social ?

Segue os mesmos critérios do benefício Auxílio Doença, e é concedida ao segurado que pode estar ou não em gozo do auxílio-doença, estando o paciente incapacitado de retornar as suas atividades remuneradas.
A aposentadoria por invalidez também deverá passar pela perícia médica caso solicitado pelo INSS.


Como conseguir os benefícios do Artigo 33 ?

É o benefício concedido ao segurado, que não possui período de carência, após a filiação à previdência Social, por desenvolver doenças como: tuberculose, lepra, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível, cardiopatia grave, AIDS, doença de Paget, Parkinson e espondiloartrose anquilosante.

É necessário apresentar atestado médico que comprove a data do início da doença, carteira de trabalho e previdência social ou carnê de recolhimento para trabalhador autônomo, RG, CPF e requerimento em formulário do INSS.

Em caso de óbito devido à enfermidade, os dependentes continuam recebendo o benefício, ou seja, a pensão.

Como conseguir a isenção de Imposto de Renda para portadores de insuficiência renal?

A isenção do Imposto de Renda para portadores de insuficiência renal é regulamentada pelo Art. 6o da Lei 7713 de 22.12.88, alterada pela Lei 8541 de 23.12.92 e instrução normativa no 49 de 10.05.99, publicada no DOU de 11.05.89 item 4.


DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS


ARTIGO XXV - Todo homem tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar.
· O paciente tem direito a atendimento humano, atencioso e respeitoso, por parte de todos os profissionais de saúde. Tem direito a um local digno e adequado para seu atendimento.
· O paciente tem direito a ser identificado pelo nome e sobrenome.não deve ser chamada pelo nome da doença ou do agravo a saúde, ou ainda de forma genérica ou quaisquer outras formas impróprias, desrespeitosas ou preconceituosas.
· O paciente tem direito a receber do funcionário adequado, presente no local, auxílio imediato e oportuno para a melhoria de seu conforto e bem-estar.
· O paciente tem direito a identificar o profissional por crachá preenchido com o nome completo, função e cargo.
· O paciente tem direito a consultas marcadas, antecipadamente, de forma que o tempo de espera não ultrapasse a trinta (30) minutos.
· O paciente tem direito de exigir que todo o material utilizado seja rigorosamente esterilizado, ou descartável e manipulado segundo normas de higiene e prevenção.
· O paciente tem direito de receber explicações claras sobre o exame a que vai ser sub metido e para qual finalidade irá ser coletado o material para exame de laboratório.
· O paciente tem direito a informações claras, simples e compreensivas, adaptadas à sua condição cultural, sobre as ações diagnósticas e terapêuticas, o que pode decorrer delas, a duração do tratamento, a localização de sua patologia, se existe necessidade de anestesia, qual o instrumental a ser utilizado e quais regiões do corpo serão afetadas pelos procedimentos.
· O paciente tem direito a ser esclarecido se o tratamento ou o diagnóstico é experimental ou faz parte de pesquisa, e se os benefícios a serem obtidos são proporcionais aos riscos e se existe probabilidade de alteração das condições de dor, sofrimento e desenvolvimento da sua patologia.
· O paciente tem direito de consentir ou recusar a ser submetido a experimentação ou pesquisas. No caso de impossibilidade de expressar sua vontade, o consentimento deve ser dado por escrito por seus familiares ou responsáveis.
· O paciente tem direito a consentir ou recusar procedimentos, diagnósticos ou terapêuticas a serem nele realizados. Deve consentir de forma livre, voluntária, esclarecida com adequada informação. Quando ocorrerem alterações significantes no estado de saúde inicial ou da causa pela qual o consentimento foi dado. este deverá ser renovado.
· O paciente tem direito de revogar o consentimento anterior, a qualquer instante, por decisão livre, consciente e esclarecida, sem que lhe sejam imputadas sanções morais ou legais.
· O paciente tem o direito de ter seu prontuário médico elaborado de forma legível e de consultá-lo a qualquer momento. Este prontuário deve conter o conjunto de documentos padronizados do histórico do paciente, principio e evolução da doença, raciocínio clínico, exames, conduta terapêutica e demais relatórios e anotações clinicas.
· O paciente tem direito a ter seu diagnóstico e tratamento por escrito, identificado com o nome do profissional, de saúde e seu registro no respectivo Conselho Profissional, de forma clara e legível.
· O paciente tem direito de receber medicamentos básicos, e também medicamentos e equipamentos de alto custo, que mantenham a vida e a saúde.
· O paciente tem o direito de receber os medicamentos acompanhados de bula impressa de forma compreensível e clara e com data de fabricação e prazo de validade.
· O paciente tem direito de receber as receitas com o nome genérico do medicamento (Lei do Genérico), e não em código, datilografadas ou em letras de forma ou com caligrafia perfeitamente legível, e com assinatura e carimbo contendo o número do registro do respectivo Conselho Profissional.
· O paciente tem direito de conhecer a procedência e verificar antes de receber sangue ou hemoderivados para a transfusão, se o mesmo contém carimbo nas bolsas de sangue atestando as sorologias efetuadas e sua validade.
· O paciente tem direito, no caso de estar inconsciente, de ter anotado em seu prontuário, medicação, sangue ou hemoderivados, com dados sobre a origem, tipo e prazo de validade.
· O paciente tem direito de saber com segurança e antecipadamente através de testes ou exames, que não é diabético, portador de algum tipo de anemia, ou alérgico a determinados medicamentos.
· (anestésicos, penicilina, sulfas soro antitetânico, etc.) antes de lhe serem administrados.
· O paciente tem direito à sua segurança e integridade física nos estabelecimentos de saúde, públicos ou privados.
· O paciente tem direito de ter acesso ás contas detalhadas referentes ás despesas de seu tratamento, exames, medicação, internação e outros procedimentos médicos. Portaria do Ministério da Saúde nº 1286 de 26/10/93- art. 82 e nº 74 de 04/05/94).
· O paciente tem direito de não sofrer discriminação nos serviços de saúde por ser portador de qualquer tipo de patologia. principalmente no caso de ser portador de HIV/AIDS ou doenças infecto-contagiosas.
· O paciente tem direito de ser resguardado de seus segredos, através da manutenção do sigilo profissional, desde que não acarrete riscos a terceiros ou à saúde pública. Os segredos do paciente correspondem a tudo aquilo que, mesmo desconhecido pelo próprio cliente. possa o profissional de saúde ter acesso e compreender através das informações obtidas no histórico do paciente, exame físico. exames laboratoriais e radiológicos.
· O paciente tem direito a manter sua privacidade para satisfazer suas necessidades fisiológicas, inclusive alimentação adequada e higiênicas , quer quando atendido no leito, ou no ambiente onde está internado ou aguardando atendimento.
· O paciente tem direito a acompanhante, se desejar, tanto nas consultas, como nas internações. As visitas de parentes e amigos devem ser disciplinadas em horários compatíveis desde que não comprometam as atividades, médico/sanitárias. Em caso de parto, a parturiente poderá solicitar a presença do pai.
· O paciente tem direito de exigir que a maternidade, além dos profissionais comumente necessários, mantenha a presença de um neonatologista, por ocasião do parto.
· O paciente tem direito de exigir que a maternidade realize o "teste do pezinho" para detectar a fenilcetonúria nos recém-nascidos.
· O paciente tem direito à indenização pecuniária no caso de qualquer complicação em suas condições de saúde motivadas por imprudência, negligência ou imperícia dos profissionais de saúde.
· O paciente tem direito à assistência adequada, mesmo em períodos festivos, feriados ou durante greves profissionais.
· O paciente tem direito de receber ou recusar assistência moral, psicológica, social e religiosa.
· O paciente tem direito a uma morte digna e serena, podendo optar ele próprio (desde que lúcido), a família ou responsável, por local ou acompanhamento e ainda se quer ou não o uso de tratamentos dolorosos e extraordinários para prolongar a vida.
· O paciente tem direito à dignidade e respeito, mesmo após a morte. Os familiares ou responsáveis devem ser avisados imediatamente após o óbito.
· O paciente tem o direito de não ter nenhum órgão retirado de seu corpo sem sua prévia aprovação.
· O paciente tem direito a órgão jurídico de direito especifico da saúde, sem ônus e de fácil acesso.

 

Doação de Órgãos

INFORMAÇÕES LEGAIS

Todos sabemos que não existe um número suficiente de doadores cadáveres para todas as pessoas que precisam de transplante e nem todos os pacientes têm doadores vivos para que se faça o transplante. Foram criadas, recentemente, duas leis relacionadas ao transplante de doadores cadáveres que tentam diminuir o tempo de espera por uma doação:
Esta lei determina que todo cidadão brasileiro, maior de 18 anos, quando de sua morte, é doador de seus órgãos, a menos que deixe uma declaração por escrito dizendo o contrário. Apesar da determinação desta lei, os médicos responsáveis pelo transplante sempre perguntam à família do
doador se está de acordo com a doação e caso a família negue a doação, o transplante não pode ser realizado.
Lei da lista única de espera - esta lei determina que todos os pacientes em espera de uma doação de rim devem obedecer uma mesma lista de espera. Esta lista é coordenada por uma central de transplante que determina os primeiros pacientes da lista.

 
1)
QUEM PODE SER DOADOR ?

A doação pressupõe critérios mínimos de seleção. Idade, o diagnóstico que levou à morte clínica e tipo sangüíneo são itens estudados do provável doador para saber se há receptor compatível. Não existe restrição absoluta à doação de órgãos a não ser para aidéticos e pessoas com doenças infecciosas ativas. Em geral, fumantes não são doadores de pulmão.
 


2)
PORQUE EXISTEM POUCOS DOADORES ?

Porque temos medo da morte e não queremos nos preocupar com este tema em vida. É muito mais cômodo não pensarmos sobre isso, seja porque "não acontece comigo ou com a minha família" ou "isso só acontece com os outros e eles que decidam".
 


3)
O QUE DEVO FAZER PARA SER DOADOR ?

Todos nós somos doadores, a não ser que conste, em um documento de identidade, a frase "não doador de órgãos e tecidos". Mas, mesmo você sendo doador, os médicos só retiram os órgãos para transplante se, e somente se, a sua família autorizar. Portanto, é muito importante que a sua família e os seus amigos saibam que você é doador.
 


4)
QUANDO PODEMOS DOAR ?

A doação de órgãos como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Em geral, nos tornamos doadores em situação de morte encefálica e quando a nossa família autoriza a retirada dos órgãos.
 


5)
O QUE É MORTE ENCEFÁLICA ?

Morte encefálica é a parada definitiva e irreversível do encéfalo (cérebro e tronco cerebral), provocando em poucos minutos a falência de todo o organismo. É a morte propriamente dita. No diagnóstico de morte encefálica, primeiro são feitos testes neurológicos clínicos, os quais são repetidos seis horas após. Depois dessas avaliações, é realizado um exame complementar (um eletroencefalograma ou uma arteriografia).
 


6)
UMA PESSOA EM COMA TAMBÉM PODE SER DOADORA ?

Não. Coma é um estado reversível. Morte encefálica, como o próprio nome sugere, não. Uma pessoa somente torna-se potencial doador após o correto diagnóstico de morte encefálica e da autorização dos familiares para a retirada dos órgãos.
 


7)
COMO O CORPO É MANTIDO APÓS A MORTE ENCEFÁLICA ?

O coração bate às custas de medicamentos, o pulmão funciona com a ajuda de aparelhos e o corpo continua sendo alimentado por via endovenosa.
 


8)
COMO FAZER PARA DOAR ?

Um familiar pode manifestar o desejo de doar os órgãos. A decisão pode ser dada aos médicos, ao hospital ou à Central de Transplante mais próxima.
 


9)
QUEM PAGA OS PROCEDIMENTOS DE DOAÇÃO ?

A família não paga pelos procedimentos de manutenção do potencial doador, nem pela retirada dos órgãos. Existe cobertura do SUS (Sistema Único de Saúde) para isso.
 


10)
O QUE ACONTECE DEPOIS DE AUTORIZADA A DOAÇÃO ?

Desde que haja receptores compatíveis, a retirada dos órgãos é realizada por várias equipes de cirurgiões, cada qual especializada em um determinado órgão. O corpo é liberado após, no máximo, 48 horas.
 


11)
QUAIS PARTES PODEM SER APROVEITADAS PARA TRANSPLANTE ?

O mais freqüente: 2 rins, 2 pulmões, coração, fígado e pâncreas, 2 córneas, 3 válvulas cardíacas, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, ossos longos, fascia lata, veia safena, pele. Mais recentemente foram realizados transplantes de uma mão completa. Um único doador tem a chance de salvar, ou melhorar a qualidade de vida, de pelo menos 25 pessoas.
 


12)
PODEMOS ESCOLHER O RECEPTOR ?

Nem o doador, nem a família podem escolher o receptor. Este será sempre indicado pela Central de Transplantes. A não ser no caso de doação em vida.

Algumas razões para não fumar...

O cigarro foi responsável por 418.690 mortes nos EUA em 1990 (1 de cada 5 mortes). Das mortes atribuídas ao fumo, cerca de 25% foram devidas a causas isquêmicas e 43% atribuídas a todas as causas cardiovasculares.
Estima-se que 29% de todas as mortes por Doença Coronariana sejam atribuídas ao cigarro.
Os fumantes possuem um risco de Doença Coronariana fatal 70% superior aos não fumantes.
O fumo potencializa os malefícios da hipertensão e da hipercolesterolemia como fatores de risco para Doença Coronariana. O uso de anticoncepcionais orais também passa a representar risco maior para infarto quando associado ao tabagismo.
O tabagismo aumenta os riscos para doença pulmonar obstrutiva, câncer de pulmão, laringe, cavidade oral, esôfago, bexiga, rins e colo uterino. Também é fator de risco para câncer de pâncreas e úlcera péptica.
O fumo é a maior causa corrigível de recém-natos de baixo peso.
Não existe nível seguro de tabagismo. O risco de morte cardiovascular é maior mesmo naqueles que fumam 1 a 4 cigarros por dia.
As crianças que residem com adultos fumantes apresentam maior incidência de infecções respiratórias graves durante a infância e maior risco para asma e otite média.
Nos EUA, estima-se que cerca de 3000 mortes por câncer de pulmão por ano em não fumantes sejam devidas ao FUMO PASSIVO.
Os efeitos benéficos da interrupção do tabagismo ocorrem para todas as idades, mesmo para aqueles que interrompem o hábito depois dos 65 anos.
Em 10-15 anos de interrupção, a mortalidade global se iguala a dos não fumantes. A redução do risco cardiovascular é mais rápida, caindo para a metade após um ano de abstinência e se iguala aos não fumantes em 2 a 3 anos.

Hidroginástica para Idosos

As condições físicas de pessoas idosas costumam ser: corpo cansado, obesidade ou magreza acentuada, musculatura fraca, ossos fracos, entre outros. Porém existem várias pessoas de idade esbanjando saúde. Quando um idoso inicia na hidroginástica, ele adquire inúmeros benefícios, deixando-o mais saudável a cada dia. Alguns dos principais benefícios são:
- Fortalecimento dos músculos e articulações, melhorandoassim a execução de várias tarefas diárias e evitando o surgimento das doenças degenerativas;
- Melhora a condição cárdio-respiratória;
- Diminui os problemas de hipertensão e hipotensão;
- O idoso tem a sensação de estar rejuvenescendo; e
- Melhora o convívio em grupo e a sua auto confiança, mostrando que só é velho quem quer ser.

Mudança na vida e Stress

Uma mudança pode ou não ser um desafio que acrescente algo de útil à nossa bagagem de vivências. Mas sempre, de um modo ou de outro, carrega em sí mesma o potencial de estresse. Como saber qual acontecimento provoca maior carga de pressão e qual é menos problemático? Nos anos 60, dois médicos, Drs. Holmes e Rahe, perguntaram a um grande número de pessoas se haviam sofrido mudanças na sua vida, se haviam ocorrido eventos significativos. Listaram esses eventos e passaram a acompanhar essas pessoas. Descobriram que, dependendo do tipo e quantidade de eventos que a pessoa enfrentava, maior ou menor a probabilidade de acabar adoecendo.
Esse clássico estudo ficou resumido numa tabela bastante conhecida. Na coluna da esquerda você irá encontrar os eventos. E na direita, o valor que as pessoas atribuíam, na média, como mais ou menos importantes em suas vidas.
Para usar a tabela no modo original, você deveria somar os pontos dos acontecimentos que ocorreram durante o período de um ano até o presente momento. No estudo dos médicos, 70 % das pessoas que anotaram 300 ou mais pontos num determinado ano, vieram a adoecer no ano seguinte. Entre 150 e 300, a percentagem já cai para 50 % das pessoas. E praticamente a totalidade que relatou menos de 150 pontos, não adoeceram no ano seguinte.
Mas atenção: antes que você comece a somar, é muitíssimo importante lembrar que essa tabela foi realizada em Seattle, nos EUA, com marinheiros e nos anos 60, portanto com um modo de vida muito diferente do nosso. Também deve-se notar que vários tópicos já podem ser sinais do estresse eles mesmos, e não necessariamente desencadeantes. Por exemplo, mudança nos hábitos do sono possivelmente signifique que o indivíduo já apresente um problema pessoal, e não que esse seja por si mesmo um distúrbio independente.
De qualquer modo, dê uma olhada na tabela. Ela é ilustrativa, mas não deve ser levada à risca. Para que essa tabela fosse valida para a sua realidade, ela deveria ser adaptada ao seu grupo de trabalho ou social, com métodos cientificamente corretos.
Mais importante que seguir essa tabela em particular, é saber que muitas mudanças no mesmo período de tempo aumentam a vulnerabilidade a doenças, e estar atento a isso! Se você não deseja tensão emocional desnecessária, convém estar atento às mudanças da sua vida. Por exemplo, se você está atravessando uma fase em que ocorreu morte de familiar próximo, mudou as condições de moradia e enfrenta mudança no tipo de trabalho que desempenha, não é o momento de adotar uma criança ou enfrentar outro desafio. O que esse estudo ensina, é que as mudanças devem ser sempre que possível distribuídas no tempo, dando oportunidade ao organismo se recuperar!
Outra coisa muito importante é que acontecimentos aparentemente bons, como o natal ou o nascimento de um filho, são potencialmente desgastantes. Relembrando: seu organismo percebe a ameaça ao equilíbrio, ele não julga a natureza dessa ameaça, se é para melhor ou para pior.

O que seu organismo percebe é que ocorreu uma mudança.


Retirado parcialmente do livro: A Hora da Virada: enfrentando os desafios da vida com equilíbrio e serenidade. Ed. Saraiva. 4a. edição - Cyro Masci

Musculação na Terceira Idade

Se você pensa que a musculação só serve para jovens, está totalmente enganado. Muitos pensam que a musculação serve apenas para gerar músculos a exemplo dos halterofilistas e fisiculturistas. Mas, na realidade, a musculação foi criada como um meio de facilitar a vida das pessoas, fazendo com que atinjam seus objetivos a nível de estética e saúde de uma forma rápida e segura, ao mesmo tempo combatendo as doenças degenerativas que geralmente aparecem na terceira idade.
A musculação atualmente é considerada a melhor atividade física para pessoas da terceira idade, devido ao trabalho individualizado, a fácil forma de controle de carga, e por não causar impacto sobre as articulações. E, ainda, o posicionamento da postura nos aparelhos é o mais confortável possível, evitando qualquer lesão sobre a coluna. Deverá ser orientada por professores especializados da área de educação física, para que se torne uma atividade não só saudável como também segura, trazendo inúmeros benefícios ao praticante. Tais benefícios farão com as atividades cotidianas tornem-se mais eficientes, devolvendo ao idoso o bem estar físico e conseqüentemente a auto-estima e vontade de viver.
O musculação tem mostrado aumentos da densidade óssea em mulheres pós-menopausa, ajudando a prevenir fraturas dos ossos. Pode também prevenir acidentes que normalmente acontecem com os idosos, que causam fraturas ósseas. Cuidados especiais devem ser considerados em relação aos hipertensos. Devem consultar um médico antes e só após uma boa avaliação, deve ser iniciado o programa de exercícios.


Quem é propenso ao Stress

As pessoas mais propensas a sofrerem de estresse possuem certas características em comum. Isso não quer dizer certeza absoluta. Significa apenas maior propensão.
Resumi 10 traços principais:

Não conseguir relaxar. (O ideal é o alerta construtivo somente nas situações que assim o exigem).

Querer ser bem sucedido todo o tempo. (Fracassos fazem parte da vida e são necessários para aprendizagem e crescimento pessoal).

Ser inflexível no ponto de vista. (Olhar só um lado de qualquer moeda é certamente prejudicial).

Querer sempre preservar a imagem pessoal. (às vezes temos que fazer coisas que os outros podem não aprovar. É necessário fazer o que deve ser feito, e não o que nos faz mais simpáticos perante os outros).

Dar demasiada importância a um único aspecto da vida. (Ninguém é só profissional, ou dona de casa, ou seja lá o que for. É necessário equilíbrio, o que não quer dizer igualdade de atenção, mas sim distribuição satisfatória das energias).

Precisar sempre de estímulos externos para sentir-se bem. (às vezes, seu melhor companheiro é você mesmo. É necessária certa dose de independência do mundo).

Não se sentir à vontade com as pessoas que o(a) rodeiam. (O isolamento pessoal deve ser eventual, e não a regra. Ninguém é uma ilha).

Possuir objetivos de vida incertos e mal definidos. (Quem não sabe o que quer, pode ficar satisfeito com qualquer coisa. Só que o mais comum é ficar insatisfeito com tudo!)

Desejo permanente de ser outra coisa ou outro alguém. (Aceitar-se é fundamental para se alcançar alguma paz de espírito. É preciso localizar os pontos positivos, e não apenas ficar enfocando os negativos).

Levar-se muito a sério. (Como disse certo humorista: "não leve a vida tão a sério. Ninguém sai dela vivo...". Saber viver é fundamental.)


Retirado parcialmente do livro: A Hora da Virada: enfrentando os desafios da vida com equilíbrio e serenidade. Ed. Saraiva. 4a. edição - Cyro Masci

Efeitos do ruído estressante
Fernando Pimentel-Souza


Mecanismos básicos de ação
(As notas explicativas entre parênteses não são de responsabilidade do autor. Sendo artigo técnico de notável importância científica e o site destinado também a leigos, isto se fez necessário.)

O ruído pode provocar várias formas de reações reflexas, particularmente se o barulho é inesperado ou de fonte desconhecida, refletindo em reações primárias de defesa do organismo, podendo ser encontradas em todos animais que desenvolveram a audição como mecanismo de alerta, em especial para o homem em vigília ou dormindo, em que a audição estende seu papel no processamento da comunicação, aquisição de conhecimento e percepção da identidade própria (WHO, 1980; Bloom et al, 1985; Pimentel-Souza, impressão e no prelo). Se a exposição é temporária, o organismo geralmente retorna ao normal ou ao estado de pre-exposição em poucos minutos, correspondendo à reação primária da secreção catecolaminérgica da adrenal. Se o estímulo ruidoso é mantido ou alternado regularmente postulam-se mudanças persistentes.
O ruído é um estímulo potente para estabelecer conecção com o arco-reflexo vegetativo do SNA para manter o estresse crônico (Selye, 1954). Há diferentes reações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, incluindo um aumento de liberação de ACTH e de corticosteroides (WHO - World Health Organization - Organização Mundial de Saúde - OMS 1980). Os órgãos alvos incluem vísceras como: glândulas endócrinas ou exócrinas, órgãos sexuais, sistema imune, coração, vasos sanguíneos, intestinos etc, que regulam os diferentes ritmos biológicos, incluindo o vigília-sono, secreções hormonais etc (Bergamini et al, 1976).
Efeitos na circulação sistêmica, como constrição dos vasos sanguíneos periféricos, acompanhada de perturbações circulatórias, inclusive hipertensão verificam-se em trabalhadores expostos a ruído. O ruído desenvolve inicialmente taquicardia Aumento dos batimentos cardíacos), evoluindo para bradicardia(queda dos batimentos cardíacos), devido ao reflexo de pressor, aumento da condutância da pele, dilatação da pupila, todos efeitos proporcionais à intensidade do ruído acima de 70 dB SPL, sem adaptação ao estímulo (Cantrel, 1974; WHO, 1980). Outros distúrbios das reações simpáticas, além das perdas auditivas, são a diminuição da motilidade gastro-intestinal, úlcera péptica etc. Muitos efeitos psicofisiológicos e fisiológicos durante a exposição ao ruído podem ser considerados decorrentes da atividade simpática e hipotálamo-hipofisária secundária a reação geral de estresse.
Para Selye (1965), a primeira fase (estresse agudo) caracteriza-se por resposta do SNA(Sistema Nervoso Autônomo) simpático com liberação de noradrenalina no sangue. A segunda fase (estresse crônico) representa período de resistência, quando o organismo habitua-se ao agente agressor, prepara-se para continuar se defendendo e passa a liberar mais adrenalina, que juntamente com o anterior constituem os hormônios do medo, da raiva e da ansiedade. Nesta fase o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal coordena também um pouco mais tardiamente a liberação de cortisol, que é um hormônio anti-inflamatório e gliconeogenético. A terceira fase (estresse de exaustão) corresponde ao período pré-agônico, com permanência da secreções destes hormônios e queda das gonadotrofinas e oxitocinas, afetando a persistência, comportamentos sociais e sexuais, levando à depressão psicológica, à deficiência imunológica, à desintegração orgânica, óssea, muscular etc. O organismo não mais possui capacidade de adaptação frente a uma situação de estresse intenso ou muito prolongada (Cantrell, 1974; Mouret, 1982; Stansfeld, 1993; Henry, 1993).

Experiência em animais

Usaram-se geralmente níveis muito elevados de som e uma faixa de freqüência limitada. Henkin & Knigge (1963) expuseram ratos a som contínuo em 220Hz com intensidade de 130 dB, resultando numa secreção inicial elevada de hormônios, seguida duma depressão na corticosterona e dum rebote para níveis normais ou mais elevados. Aumento de secreção urinária de adrenalina foi seguida de rebote a uma estimulação repetitiva de 2s, modulado em 20kHz a 100dB (Ogle & Lockett, 1968). Eosinopenia(queda do número de eosinófilos - tipo de célula do sangue) e mudanças na glândula adrenal, temporárias ocorreram em camundongos expostos diariamente a um único período de 15 ou 45 min ou a durações intermitentes de 100min em freqüência de 10-20kHz a 110dB (Anthony & Ackermann, 1955). Selye (1954) descreveu ação isolada e sinérgica aumentada do som com frio e escaldamento produzindo dilatação da suprarenal do rato.
Não se observaram mudanças patológicas na adrenal de ratos, um mês depois de exposição a 80dB em períodos de 18-26 dias (Osintseva, 1969), possivelmente devido a diferença de intensidade, duração e gama de freqüência da exposição do som. Horio et al (1972) relatam o caso de 3 grupos de ratos, expostos a 8h de ruído a níveis de 60, 80 e 100 fons. Comparados com controle não exposto, a concentração sanguínea de 11-hidroxycorticosteriode subiu rapidamente no começo, atingindo um nível máximo dentro de 15min, proporcional à intensidade do ruído. Os níveis caíram ao do controle dentro de 1 a 4h após a exposição. Em coelhos também impulsos sonoros produzem excitação estável e prolongada na formação reticular e no cortex (região mais externa) temporal de coelhos, a exposição contínua, insignificante depois de 1h da retirada do estímulo (Suvorov, 1971).
Anthony et al. (1959) mostraram diferentes efeitos agudos a ruído branco, 150-4800Hz, 140dB SPL, em 15 min por 4 semanas em camundongo, rato e cobaia. Não se verificaram danos orgânicos, mas uma redução do comportamento exploratório na cobaia. Alguns ratos e camundongos mostraram reação de congelamento. Não foi verificado um aumento de peso da adrenal, mas da zona fasciculata(regiaõ da glândula) em ratos e camundongos, provavelmente com aumento da atividade adrenocortical. Aumentos maiores de corticosterona plasmática foram obtidos em ratos expostos à ação de som por períodos de 30s a intervalos de 5min com duração de 3, 5 ou 7 horas por semana, durante 16 semanas a 100dB (Rosecrans et al,1966). Os aumentos foram mais significativos em ratos isolados, concluindo que a solidão é um estressor.
Ruído variando de 55 a 95 dB em ratos produzem alterações nos comportamentos alimentar, reduzindo duração e ingestão e aumentando velocidade de comer e latência, e não alimentar, aumentando defecação, exploração, limpeza e tempo de descanso (Krebs et al, 1996). Postula-se que há uma redução do comportamento alimentar como forma adaptativa para enfrentar meios perigosos, aumentando alerta do sistema simpático-adrenal.
Em cepas de ratos sensíveis a crises audiogênicas, a reação ao estímulo auditivo é tão rápida quanto alguns segundos, gerando reações tônico-clônicas, depressão pós-ictal, colocando em evidência a liberação de prolactina e possivelmente opioides, como demonstrado noutros tipos de estresse. ACTH e b-endorfina são liberadas concomitantemente em respostas estressoras. Há envolvimento do sistema límbico no processo devido ao recrutamento da amídala, a partir do mesencéfalo (Lewis et al, 1980; Graeff, 1984; Garcia-Cairasco et al, 1996).

Experiências e observações em humanos

Excreção urinária aumentada de adrenalina e noradrenalina ocorreram após 90dB a 2kHz por 30min em sujeitos sadios, assim como em 3 grupos de pacientes com (a) hipertensão sem causa conhecida, (b) convalescentes de ataque cardíaco ou (c) psicóticos (Arguelles et al, 1970). Exposição duas vezes por dia durante 30 min a 55, 70 e 85 fons resultaram em mudanças significantes em leucócitos, eosinófilos, basófilos( tipo de célula do sangue) e 17-hidrocorticosteroide urinário, comparado com 30-45 fons (Tataí et al, 1965,1967). Aumentos significantes de excreção de 17-hidrocorticosteroide e noradrenalina foram obtidos a níveis de 40, 50 e 50 dBA expostos de 2 a 6 horas por vários dias (Osada et al, 1973).
Ao nível de Leq=36dBA e Lmax=55dBA produzidos por 14 a 64 vôos por noite já se eleva significativamente de 30% a secreção de adrenalina, atingindo 60% com Lmax=75dBA. Para Leq=68dBA há aumento significativo de adrenalina e de noradrenalina e não de cortisol em crianças submetidas a barulho de avião (Hygge at al, 1993), apesar de que Lmax=65-72dBA de ruído de avião sobre fundo calmo não serem suficientes para alterações de catecolaminas (Carter et al, 1993). Para Leq=45-54dBA noturno, com aumento de 8dBA de dia, não houve ainda aumento de cortisol (Pimentel-Souza et al.,1996). Ruído com esforço físico elevado só aumenta significantemente a noradrenalina e cortisol e não a adrenalina (Taffala & Evans, 1993).
Em laboratório durante 60 dias, ruído branco de Leq=50 e 70 dBA diurno e noturno respectivamente, com 3% de pico tonal médio de 85dBA produziram 25%¨de aumento do colesterol e 68% do cortisol sanguíneos (Cantrell,1974). Aumento de GH e PRL e quedas de metabólitos de 5HT foram obtidos durante o sono após 8 horas diurnas de exposição a 83dBA, indicando o efeito prolongado do estresse sonoro (Fruhstorfer et al, 1985). Em Leq=85dbA durante um dia elevaram-se significativamente a adrenalina, cAMP, colesterol, Mg sérico e decaiu Na no eritrócito e renina (Ising et al, 1980).
O barulho transitório a partir de 35dBA já provoca reações vegetativas, que à longo prazo e em níveis mais elevados, se convertem permanentemente em hipertensão arterial, secreção elevada de catecolaminas e de hormônios corticosteroides e adrenocorticotróficos, úlcera péptica, estresse, irritação, excitação maníaco-depressiva, arteriosclerose, infarte, observados sobretudo em industrias barulhentas, regiões urbanas, nas proximidade de aeroportos etc (Cantrell, 1974; WHO, 1980; Rai et al, 1981; Cesane et al, 1982; Vacheron, 1993; Babisch et al, 1993). Pelas razões acima a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1987), seguindo instruções da Organização Mundial da Saúde (OMS), recomenda o nível médio de 40dBA para hospitais, sala de aula, bibliotecas e residências. A OMS concluiu que o conforto auditivo termina acima de 50dBA e o estresse começa acima de 55dBA (WHO, 1980; Berglund & Lindvall, 1995).
Rai et al (1981) observaram em trabalhadores com cerca de 7 horas em ambientes de cerca de 97dBA aumentos de 46% no colesterol livre e 31% no cortisol, além de queda de 30,8% de g-globulina. O trabalhador em ambiente ruidoso e em turno mostrou aumento significante de noradrenalina para o primeiro estressor e adrenalina para o segundo (Cesana et al, 1982). Isto significa que pelos níveis de ruídos urbanos do 3o. Mundo seus cidadãos estão "ingerindo muita gordura e outros venenos pelo ouvido", sujeitando-se a sérios distúrbios hormonais, que se operam na "surdina", pois seus efeitos se revelam à médio e longo prazo e não são evidentes como um "raio da morte", abatendo de imediato a vítima. Isto é confirmado por Babisch e colaboradores (1993) ao detectarem aumento de 20% de infarte de miocárdio em regiões de Berlim com ruído acima de 70dBA de média. A questão no 3o. Mundo parece mais grave, pois, por exemplo, cerca de 80% da população de Belo Horizonte está submetida diurnamente a ambientes acima de 70 dBA. Daí pode-se estimar então 800 mortes silenciosas e graduais devem estar ocorrendo por ano só devido ao ruído dentre as 5000 constatadas pelo IBGE em 1990, devido a arteriosclerose em geral.

Uma síntese mais atual

O aumento significativo de liberação de cortisol por si só, já a partir de Leq=70dBA e 50dBA, diurno e noturno respectivamente, indica que o organismo está sujeito a profundas alterações hormonais, no sistema reprodutor com inibição de GnRh, LH, FSH, estradiol e testosterona, nas funções de crescimento e da tireóide com inibição de GH, TSH, T3 e T4, no eixo metabólico acrescentando perda de massa óssea e aumento do tecido adiposo visceral, na função gastrointestinal inibição do vago, perda de motilidade intestinal e estimulação noradrenérgica do Locus Cerúleo (LC), aumentando tônus parassimpático sacral e motilidade cólica (intestinal), na função imunológica queda na liberação de neuropeptídeos(hormônios veiculados pelo sistema nervoso), citocinas e fator de ativação de plaquetas (um dos tipos de células que comp~~oe o sangue), havendo uma queda compensatória noradrenérgica de ação no LC etc. (Chrousos, 1996).


Referências

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Sono e Stress

Fique certo de uma coisa: durante o sono o organismo se recupera dos desgastes ocorridos durante o dia. É portanto um dos mecanismos mais importantes contra o estresse. Dormir é tão importante que sua ausência total, durante muito tempo, pode levar a sinais de psicose, com alucinações e delírios! Privar alguém de sono é um método usado em técnicas de tortura e lavagem cerebral.
O sono não é uma atividade em que o corpo fica sem fazer nada, não é um processo passivo. É um mecanismo ativo do cérebro. Se você conhecer um pouco como funciona seu organismo, poderá decidir com maior critério quais medidas quer adotar para melhorar seu sono, se deve ou não tomar medicação para a insônia.
Quantas horas precisamos dormir:
Uma criança pequena passa a maior parte de seu tempo dormindo. Um idoso passa a maior parte de seu tempo acordado. Entre essas duas extremidades, cada um tem uma necessidade específica, não sendo de exatamente 8 horas, como se diz comumente.
O melhor meio de se saber o número de horas necessárias, é verificar o estado geral ao acordar. A pessoa não deve se sentir irritada ou cansada logo pela manhã.
Quem não está dormindo o número total de horas suficiente costuma ficar com sonolência durante o dia, dificuldade de raciocínio, e outras tantas alterações que são exatamente iguais aos sintomas de alerta do estresse. Na verdade, é um alarme do organismo de que ele precisa se recompor, atingir seu equilíbrio.
Problemas que afetam o sono:
Uma queixa comum é a de pessoas que dizem não dormir bem, mas que na realidade dormem uma ou mais vezes durante o dia e acabam por necessitar de menor número de horas à noite.
A queixa de dificuldade para adormecer (insônia inicial) é a mais comum. É aceitável um período de até 30 minutos para adormecer. Mais tempo que isso possivelmente indique tensão emocional. Situações de tensão levam a uma dificuldade de adormecimento e também a um sono superficializado.
A insônia intermediária (perder o sono no meio da noite) e também a final (despertar precoce) são comuns em períodos de grande excitação ou de problemas inconscientes, que podem afetar a fase do sonhar, sendo que o indivíduo passa a acordar durante ou no final da noite, em geral no meio de um sonho.
A insônia final (despertar precoce), é também comum em idosos, assim como em depressões do tipo orgânica, com origem em alterações bioquímicas do cérebro e não nos problemas da vida. Existem também algumas doenças desencadeadoras de insônia, como por exemplo bronquite, hipertireoidismo, processos infecciosos. As insônias não permitem ao organismo se recuperar e por si só já são um novo fator de disstresse.
Conheça os hábitos que pioram o sono
Não são apenas problemas que podem afetar o sono. Muitas vezes alguns hábitos podem ser verdadeiros desastres para o sono reparador. O principais:
Tomar bebidas com cafeína. Elas simplesmente impedem que seu cérebro se desligue.
Beber para dormir provoca alterações nos ciclos do sono, resultando numa noite mal dormida e com ressaca pela manhã. Se você acha que só consegue dormir com álcool, saiba que o seu sono é de péssima qualidade e deve ser melhorado.
Fazer exercícios físicos intensos, que na verdade são estressores e aumentam o nível de excitação geral.
Trabalhar até a hora de dormir, tentando cair de sono pode ser uma necessidade de trabalho momentânea, ou ainda um hábito criado numa tentativa de se desligar dos problemas, que a médio e longo prazo acabam não funcionando e trazendo problemas.
O mesmo se aplica a outros hábitos de tentar estressar o organismo até ele desmoronar, como ficar assistindo televisão, ler coisas tensas ou ouvir música excitante.
Fazer uma refeição pesada até 3 horas antes de adormecer é pedir para dormir mal.
Brigar com o(a) parceiro(a) às vezes pode ser tentador como um desabafo de um dia ruim, mas certamente irá prejudicar o sono do outro, ou dos dois.
Tentar resolver questões importantes, pensar em problemas não resolvidos, não apenas impedem um bom sono, como também impedem que o inconsciente da pessoa veja outros lados da questão. Lembre-se da importância de dormir com a idéia.
E a soneca durante o dia?
Existem pessoas que acreditam que um soninho durante o dia é prejudicial ao sono noturno. E existem pessoas que acreditam que uma soneca durante o dia revigora e permite um dia muito bom. Pessoalmente prefiro e recomendo esse último conceito sempre que possível.
Uma coisa é certa: ou você deve procurar tirar uma soneca todos os dias ou então evite ao máximo dormir durante o dia. Nosso organismo é muito sensível aos hábitos, e o do sono deve ser o mais rotineiro possível. E sempre lembrando-se de que se tiver o hábito de dormir durante o dia, irá necessitar de menos horas à noite, e isso não é insônia.
Desenvolva hábitos que melhoram o sono:
Mantenha um horário regular para dormir. Permita que seu organismo desenvolva um ritmo interno apropriado. Use 20 a 30 minutos do seu tempo se preparando para dormir. Fale de coisas agradáveis, ouça música suave, leia um livro monótono (e não um que desperte a atenção). Procure tomar um banho quente, de chuveiro ou banheira, se possível diminuindo a intensidade de luz, usando um abajur ou uma lanterna. Exercícios físicos moderados, especialmente os de alongamento, e até 2 horas antes de dormir, podem ajudar. Procure usar travesseiro e colchão adequados. O travesseiro deve ser confortável, e o colchão deve possuir uma densidade compatível com seu peso. Para uma pessoa com 70 quilos, o colchão adequado é de densidade 28. Lojas de colchões costumam ter tabelas ilustrativas. Quando sentir sono, vá para a cama. Se você tentar lutar contra ele, possivelmente irá ganhar... Se não tiver sono, não fique na cama. Levante e vá fazer coisas não excitantes. Se dormiu mal uma noite, não fique dormindo até mais tarde. Não permita que seu organismo inverta a noite com o dia.
Influência das substâncias que auxiliam no sono:
Medicamentos só podem ser tomados com orientação médica. Já algumas outras substâncias são encontradas livremente e podem auxiliar, junto com as outras medidas, a uma boa noite de sono.
O triptofano é uma substância encontrada em diversos alimentos, como o leite e a soja, que participa de diversos processos bioquímicos do organismo, entre os quais na produção da serotonina, substância muito importante no desencadear do sono. A conclusão imediata é que o velho copo de leite quente antes de se deitar tem fundamento, e pode ajudar no sono.
Também o maracujá tem propriedades sedativas, e um suco da fruta pode auxiliar na insônia. O mesmo se pode afirmar da camomila, da hortelã e da erva cidreira, que possuem propriedades sedativas e são excelentes remédios caseiros. São usados na forma de infusão, em geral na dose de uma colher de sopa para cada xícara de água fervente, deixando-se abafar 1 ou 2 minutos no recipiente tampado.
Em épocas difíceis, quando se está sob muita tensão, costumo recomendar a ingestão dessas substâncias. Entretanto, elas muitas vezes não solucionam o problema, obrigando a se cogitar o uso de medicação específica.
Você deverá modificar com o tempo diversos outros hábitos, mas se nesta fase conseguir realizar os acima, já estará com meio caminho andado para o sucesso de seu programa.
Já perdi a conta do número de pacientes que tiveram uma excepcional melhora dos sintomas simplesmente dormindo bem, melhorando seu despertar, tendo um bom desjejum, diminuindo o número de cafezinhos e controlando seu tempo.
Pare aqui e determine-se a implantar esses hábitos já!




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