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Prevenção das doenças cardiovasculares no século 21
FATORES DE RISCO
Autor:Armênio Costa Guimarães
Professor Titular de Cardiologia da Faculdade de
Medicina da UFBA, Presidente da Liga Bahiana de
Hipertensão e Aterosclerose
Ao analisarmos as perspectivas da prevenção das doenças
cardiovasculares
(DCV) ao longo do século passado, é importante avaliarmos
aonde chegamos. O primeiro aspecto se refere ao progresso do
conhecimento
científico a respeito da etiopatogenia e história natural
das doenças
crônico-degenerativas do coração e das artérias, o que
inclui hipertensão
arterial, doença cerebrovascular e cardiopatia coronária,
principais
responsáveis pela crescente epidemia mundial de DCV. O
segundo
ponto diz respeito à identificação dos fatores de risco, o
que ensejou o
progresso da cardiologia preventiva, permitindo evitar a
doença ou torná-la
menos agressiva ao organismo, como ocorre nos países com
maiores
recursos para aplicação em saúde pública. A partir do
conhecimento
obtido através de estudos populacionais, temos hoje
condições de avaliar
o risco cardiovascular, populacional e individual,
respeitadas as diferenças
étnico-sociais dos diversos povos. No Brasil, o mais recente
consenso brasileiro de dislipidemia1 recomenda, como base
para essa
avaliação, os dados do estudo de Framingham, nos Estados
Unidos, aceitáveis
na ausência de dados nacionais que permitam uma visão mais
realista do problema entre nós. Como conseqüência desses
avanços, tem
sido possível o controle efetivo de alguns fatores de risco,
com reflexos
positivos na morbi-mortalidade das DCV. Ocorre, porém, que,
além de
fatores biológicos, a interveniência de fatores políticos e
socioeconômicos
não permite que a posição alcançada possa ser considerada
satisfatória,
principalmente em países com sérios problemas
político-sociais,
como o nosso.
Fatores de risco
Particularizando as etapas percorridas ao longo do século
XX, são:
Resumo
Atualmente existe um melhor conhecimento a respeito da
etiopatogenia
e história natural da hipertensão arterial, da doença
cerebrovascular
e da cardiopatia coronária, sendo possível identificar
seus fatores de risco e avaliar o risco cardiovascular,
populacional e
individual das suas manifestações clínicas. Porém, os
resultados da
aplicação desses conhecimentos ainda deixam muito a desejar.
Para melhor identificação e controle dos fatores de risco é
fundamental
o entendimento das suas várias categorias. Em primeiro lugar
temos os fatores condicionantes, relacionados ao perfil
genético e ao
estilo de vida, condicionando variados graus de
predisposição à aquisição
das doenças cardiovasculares. Em segundo lugar os fatores
causais,
relacionados diretamente ao dano cardiovascular, e por
último os
fatores predisponentes, facilitadores do aparecimento dos
fatores causais.
As dislipidemias, a hipertensão arterial, a intolerância à
glicose, o
diabetes e o tabagismo despontam como os principais fatores
causais; e
sobrepeso e a obesidade, o sedentarismo e o excessivo
estresse psicológico,
como os principais fatores predisponentes.
Para a estratificação do risco cardiovascular adota-se o
escore de
Framingham, classificando os indivíduos nas categorias de
baixo (< 10%),
médio (10% a < 20%) e alto ( ³ 20%) risco da ocorrência de
infarto
agudo do miocárdio, fatal e não-fatal, morte súbita ou
angina nos próximos
dez anos. Dentre os indivíduos de alto risco estão aqueles
com doença
aterosclerótica, hipertensos com lesões de orgãos-alvo e
diabéticos.
O controle dos fatores de risco ainda deixa a desejar. O uso
de
vastatinas e fibratos ainda é limitado e inadequado, mesmo
em pacientes
de alto risco. Apenas 10% ou menos de indivíduos com
cardiopatia
coronária, em tratamento preventivo, apresentam LDL-C abaixo
de 100
mg/dL. Além disso, existe pouca ênfase na importância do
controle dos
níveis de triglicérides. Na hipertensão e no diabetes, o
progresso na
detecção e controle é também insatisfatório, diante da
magnitude do
problema. Em relação a fatores de risco como tabagismo,
inatividade
física e sobrepeso e obesidade, o progresso foi pouco ou
quase nenhum.
Diante do cenário atual, o caminho a seguir é implementar
estratégias
e ações que aumentem a efetividade do controle dos fatores
de risco causais e predisponentes e intensificar o combate
aos fatores
predisponentes (prevenção primordial). Inúmeras evidências
clínicas
e epidemiológicas indicam que as ações preventivas devem ser
iniciadas
na infância e adolescência, quando já ocorre prevalência
crescente
de dislipidemias, hipertensão, diabetes, sobrepeso e
obesidade.
O estilo de vida atual é o principal responsável por essa
situação.
As crianças e os adolescentes comem de modo inadequado, o
uso
excessivo da televisão estimula a inatividade física e eles
estão expostos
à sedução do tabagismo. A grande arma para esse combate
deve ser a educação dirigida a crianças, adolescentes, aos
respectivos
pais ou responsáveis, professores e a todos aqueles com
parcela
de responsabilidade no problema, incluindo a mídia.
O alcance de tais objetivos necessita da ação harmônica e
decidida
de órgãos governamentais, universidades, sociedades
científicas,
mídia e organizações comunitárias de serviço. Contudo, é
fundamental
lembrar que a credibilidade de tal processo depende do
compromisso
dos profissionais de saúde com as mudanças propostas no
estilo de vida.
site:
www.SBH.org
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